Questões de Interpretação de texto - Perguntas e Respostas Comentadas - Exercícios
questões de vestibulares
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Questões Interpretação de texto

REF. Perguntas / Respostas
vestibular Unicamp1997
tópico:Interpretação de texto

sub-grupo:
pergunta:PERIGO!

ÁRVORE AMEAÇA CAIR EM PRAÇA DO JARDIM INDEPENDÊNCIA

Um perigo iminente ameaça a segurança dos moradores da rua Lúcia Tonon Martins, no Jardim Independência. Uma árvore, com cerca de 35 metros de altura, que fica na Praça Conselheiro da Luz, ameaça cair a qualquer momento. Ela foi atingida, no final de novembro do ano passado, por um raio e, desde este dia, apodreceu e morreu.
A árvore, de grande porte, é do tipo Cambuí e está muito próxima à rede de iluminação pública e das residências. "O perigo são as crianças que brincam no local", diz Sérgio Marcatti, presidente da Associação do Bairro".
(Juliana Vieira, "Jornal Integração", 16 a 31 de agosto de 1996)

a) O que pretendia afirmar o presidente da associação?
b) O que afirma ele, literalmente?
c) Nas placas com os dizeres:


C U I D A D O E S C O L A !

podemos encontrar o mesmo tipo de ambigüidade que havia na declaração de Sérgio Marcatti. O que tornaria divertida a leitura da placa?

Nota: Para responder, leve em conta as seguintes acepções do termo "perigo", constantes do Novo Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira:
Perigo - 1- Circunstância que prenuncia um mal para alguém ou para alguma coisa. 2- Aquilo que provoca tal circunstância; risco. 3- Estado ou situação que inspira cuidado; gravidade.



resposta:a) A árvore morta significa perigo para as crianças que brincam no local.
b) A idéia de que as crianças é que seriam perigosas.
c) Entendo que a escola representa o perigo.

vestibular Unicamp1997
tópico:Interpretação de texto

sub-grupo:
pergunta:MORTE E VIDA SEVERINA, de João Cabral de Melo Neto, traz como subtítulo "auto de natal pernambucano". Sabendo-se que a palavra auto "designa toda peça breve, de tema religioso ou profano, em circulação durante a Idade Média" (Massaud Moisés, DICIONÁRIO DE TERMOS LITERÁRIOS), responda:
a) Explique o porquê das adjetivações "de natal" e "pernambucano", contidas no subtítulo, considerando o enredo da peça.
b) Qual é o sentido do adjetivo "severina" aplicado a "morte e vida"?
c) Comumente usa-se a expressão "vida e morte"; no título da peça de João Cabral, entretanto, a seqüência é "morte e vida". Explique o porquê dessa inversão.



resposta:a) "De Natal"
Anunciado, o nascimento do filho de José, o mestre Carpina, este consegue demover Severino, da idéia de matar-se.
"Pernambuco"
Severino veio para o litoral de Recife tentar uma vida melhor.

b) "Severina" significa miséria, sofrimento.

c) Significa uma vida sofrida negada pela morte.

vestibular Unicamp1997
tópico:Interpretação de texto

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pergunta:a) Em A CONFISSÃO DE LÚCIO, as duas personagens femininas não se apresentam o tempo todo no romance e seria até mesmo possível duvidar da existência de uma delas; no entanto, são fundamentais para a compreensão global da obra. Explique por quê.
b) Todas as personagens do romance de Mário de Sá-Carneiro perambulam por ruas, bares, restaurantes, teatros, tendo como pano-de-fundo duas cidades. Quais são essas cidades e o que representam na obra?



resposta:a) "Marta" é uma projeção fantasma de seu marido Ricardo, homossexual, tornando-se amante de Lúcio e de Sérgio. A "Americana Fulva" representa o decadentismo. O assassinato de Marta pelo marido e o suicídio de Ricardo levam Lúcio à cadeia e também ao suicídio.

b) PARIS representa o luxo, a sofisticação, a devassidão moral e LISBOA o desmoronamento de seus sonhos.

vestibular Unicamp1997
tópico:Interpretação de texto

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pergunta:Os três contos de "Três mulheres de três PPPês" versam sobre experiências conjugais e caracterizam-se fortemente pela mudança de ponto de vista do narrador. No caso de "PII Ermengarda com H", o segundo conto do livro, esta mudança dá-se através do uso de um recurso literário: os diários.
O fragmento a seguir destaca a diferença entre o caderno roxo e o azul, ambos escritos por Ermengarda.

"Cheguei rapidamente ao último da pilha, um caderno grande, do mesmo modelo do roxo mas com capa azul. Abri-o meio ao acaso, disposto a juntá-lo ao resto quando meu olhar caiu numa linha onde perto do nome de Cincin havia uma referência ao sabonete de eucalipto. Li a passagem e fiquei sabendo que os banhos tinham sido sugeridos por Cincinato. Achei isso curioso, pois o caderno roxo me deixara a impressão de que fora um médico que os aconselhara e não um simples dentista."

a) Qual a reação do narrador ao ler, às escondidas, o primeiro diário, o caderno roxo?
b) Após a leitura do caderno azul, entretanto, ocorre uma nova reação do narrador. O que continha o caderno azul?
c) Para o narrador, a imagem da esposa modifica-se conforme a leitura do caderno roxo ou azul. Estas modificações vêm indiciadas pela maneira como Ermengarda nomeia o marido. Recorde-se de que maneiras ela o chama no caderno roxo e no caderno azul.



resposta:a) Após ler tantos elogios a seu respeito, sem saber que eram forjados, espera ansioso a volta da mulher na esperança de uma nova vida a dois.

b) Continha suas relações adulterinas e todo seu repúdio pelo marido.

c) No caderno roxo ela não se refere ao marido pelo prenome (Polydoro) que tanto ele detestava. Já no azul ultiliza-o de várias formas: P, Pol, Poly, Polydor, até chamá-lo de Corno do Polydoro.

vestibular Unicamp1997
tópico:Interpretação de texto

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pergunta:Em RECORDAÇÕES DO ESCRIVÃO ISAÍAS CAMINHA, o estudante Isaías, excelente aluno e respeitado por sua inteligência, deixa o interior com a esperança de tornar-se doutor no Rio de Janeiro. Numa parada do trem, entretanto, Isaías sente-se desconsiderado pelo dono do bar, o que o leva às seguintes reflexões:

"Trôpego e tonto, embarquei e a tentei decifrar a razão da diferença dos dois tratamentos. Não atinei; em vão passei em revista a minha roupa e a minha pessoa... Os meus dezenove anos eram sadios e poupados, e o meu corpo regularmente talhado. Tinha os ombros largos e os membros ágeis e elásticos. As minhas mãos fidalgas, com dedos afilados e esguios, eram herança de minha mãe, que as tinha tão valentemente bonitas que se mantiveram assim, apesar do trabalho manual a que sua condição a obrigava. Mesmo de rosto, se bem que os meus traços não fossem extraordinariamente regulares, eu não era hediondo nem repugnante. Tinha-o perfeitamente oval, e a tez de cor pronunciadamente azeitonada.
Além de tudo, eu sentia que minha fisionomia era animada pelos meus olhos castanhos, que brilhavam doces e ternos nas arcadas superciliares profundas, traço de sagacidade que herdei de meu pai. Demais, a emanação da minha pessoa, os desprendimentos da minha alma, deviam ser de mansuetude, de timidez e bondade... Por que seria então, meu Deus?"

a) Uma expressão contida no trecho citado é fundamental para que o leitor consiga decifrar a razão da diferença de tratamento, enquanto o próprio narrador não o consegue. Cite a expressão.
b) No trecho citado, insinua-se a diferença social entre o pai e a mãe de Isaías, que se explicitará mais adiante, no decorrer da narrativa. Que diferença é essa?



resposta:a) "tez de core cor pronunciadamente azeitonada"
b) Sua mãe era empregada de um padre que era seu pai.

vestibular Unicamp1997
tópico:Interpretação de texto

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pergunta:No relato de Claudius Hermann, em NOITE NA TAVERNA, Eleonora deixa sobre o leito um papel contendo versos, cujo autor é o próprio Hermann, referindo-se ao seu passado de libertinagem.

"Não me odeies, mulher, se no passado
Nódoa sombria desbotou-me a vida,
- É que os lábios queimei no vício ardente
E de tudo descri com fronte erguida.

A máscara de Don Juan queimou-me o rosto
Na fria palidez do libertino:
Desbotou-me esse olhar... e os lábios frios
Ousam de maldizer do meu destino.

Sim! longas noites no fervor do jogo
Esperdicei febril e macilento
E votei o porvir ao deus do acaso
E o amor profanei no esquecimento!

Murchei no escárnio as coroas do poeta,
Na ironia da glória e dos amores:
Aos vapores do vinho, à noite insano
Debrucei-me do jogo nos fervores!

A flor da mocidade profanei-a
Entre as águas lodosas do passado...
No crânio a febre, a palidez nas faces,
Só cria no sepulcro sossegado!

E asas límpidas do anjo em colo impuro
Mareei nos bafos da mulher vendida,
Inda nos lábios me rouxeia o selo
Dos ósculos da perdida.

a) Nota-se, no poema, a imagem do fogo representando o vício que consumiu Hermann em seu passado devasso. Cite ao menos três vocábulos presentes no poema que confirmem essa imagem.
b) O mesmo poema condensa temas de todas as narrativas de NOITE NA TAVERNA. Identifique ao menos um deles presente no poema.
c) Tanto os narradores de NOITE NA TAVERNA quanto o de MORTE E VIDA SEVERINA desejam a morte como solução. Estabeleça a diferença de suas razões.



resposta:a) queimei, queimou-me, fervor, febril.
b) PROSTITUÇÃO "mulher vendida"
c) Em "Noite na Taverna" trata-se da evasão na morte típica dos escritores Ultra-Românticos. Em "Morte e Vida Severina" é a constatação de uma vida miserável e sofrida sem possibilidades de melhoria que faz pensar em morte.

vestibular Unesp1997
tópico:Interpretação de texto

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pergunta:A vocação náutica dos portugueses e os grandes descobrimentos do passado tornaram o tema do mar bastante freqüente na Literatura Portuguesa de todos os tempos. Fernando Pessoa, em MAR PORTUGUEZ, focaliza o custo que a aventura marítima representou em termos de vidas humanas e sofrimentos ao povo de seu país. Releia com atenção o poema pautado e, a seguir,
a) identifique o recurso estilístico por meio do qual, ao operar escolhas nos planos gráfico e morfológico do discurso, o escritor sugere que a aventura náutica portuguesa refere-se ao passado longínquo;
b) justifique sua resposta, apresentando dois exemplos dessa mudança empreendida na forma escrita.



resposta:a) No plano gráfico: portuguez, lagrimas, resaram, abysmo, nelle.
Morfologicamente percebemos o emprego de verbos no pretérito perfeito.

b) "choraram", "resaram", "valeu": verbos no pretérito perfeito.
"abysmo", "nelle": formas gráficas em desacordo com o sistema atual.

vestibular Unesp1997
tópico:Interpretação de texto

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pergunta:Examinando cuidadosamente o poema, verifica-se que, em tom épico, grandiloqüente e afetivo, a voz enunciadora inclui o próprio povo português em sua fala. Tendo em vista esta observação,
a) aponte o verso em que, claramente, o eu-poemático se manifesta como coletivo, e indique a forma pronominal que identifica o destinatário dessa voz coletiva;
b) a quem especificamente se dirige essa voz coletiva, e por meio de que recurso sintático o faz?



resposta:a) "Por te cruzarmos, quantas mães choraram"
Forma pronominal: "te"
b) Dirige-se ao mar através dos vocativos: "ó mar salgado" e "ó mar".

vestibular Unesp1997
tópico:Interpretação de texto

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pergunta:Esta cena de A MORENINHA descreve, por meio de uma carta, como Fabrício conheceu Joana, no Teatro São Pedro de Alcântara. A fluência e vivacidade de estilo do personagem Fabrício, que pede a Augusto "pinte a cena na imaginação", imprimem ao texto um conjunto de efeitos típicos da própria teatralidade. Com base neste comentário, aponte e explique o funcionamento de
a) pelo menos um elemento do enunciado que revele essa "pintura teatralizada "da cena;
b) um procedimento da enunciação que revele a proximidade do texto com a linguagem específica do teatro.



resposta:a) "Pinta na tua imagiimaginação." sugere uma encenação mental.
b) Emprego do discurso direto.

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tópico:Interpretação de texto

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pergunta:No fragmento que lhe apresentamos, Joaquim Manuel de Macedo transfere ao personagem Fabrício a visão racista e o preconceito de cor vigente na sociedade brasileira de sua época. Nessa linha depreciativa, são várias as caracterizações que definem Tobias em sua figura e personalidade. Releia o texto, e
a) explique como se dão as características de figura e personalidade do jovem escravo;
b) justifique sua resposta, apontando pelo menos um exemplo de cada caso.



resposta:a) A descrição de escravo é feita por contrastes de preto e branco. Quanto à personalidade do escravo era ligeiro, desavergonhado, interesseiro e matreiro.

b) Descrição: "todo vestido de branco com uma cara mais negra e mais lustrosa"
Personalidade: "diabo de azeviche"

vestibular Unesp1997
tópico:Interpretação de texto

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pergunta:Tobias configura-se em cena como muito conversador e ladino, um misto de esperteza e submissão. Como frisara Fabrício, "era um clássico a falar português". A progressiva satisfação desse personagem, em relação à recompensa almejada, se exprime com base numa seriação e gradação de formas adjetivas. Em vista do exposto,
a) aponte três passagens em que, manipulando repetidamente o uso de adjetivos, Tobias revela-se interesseiro, e se entusiasma com as recompensas de Fabrício;
b) identifique o grau do adjetivo utilizado pelo escravo na última frase de seu diálogo.



resposta:a) " - Pronto ... o moleque"
" - Mais pronto ... agudo"
" - Oh, meu senhor! ... agudíssimo."

b) Superlativo Absoluto Sintético

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tópico:Interpretação de texto

sub-grupo:
pergunta:EPITÁFIO PARA UM BANQUEIRO

n e g ó c i o
e g o
ó c i o
O

(in: PAES, José Paulo. ANATOMIAS. São Paulo: Cultrix, 1967, p. 17.)

Este "Epitáfio para um Banqueiro" enfoca um tema literário bastante atual: o egoísmo, a solidão do indivíduo, a falta de comunicação que o leva a fechar-se nos limites de sua própria existência e, conseqüentemente, ver o mundo sempre deformado por uma visão individualista. Tomando por base estas observações,
a) faça uma descrição do plano semântico-visual do texto, de modo a revelar sua compreensão do poema como um "epitáfio";
b) aponte o signo que, numa das linhas do poema, demarca a característica do indivíduo como ser em si, exclusivista e isolado.



resposta:a) Desmembrando-se a palavra Negócio obtem-se Ego e Ócio que sugerem a síntese da vida do banqueiro.
b) EGO.