Questões de Literatura - Perguntas e Respostas Comentadas - Exercícios
questões de vestibulares
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Questões Literatura

REF. Perguntas / Respostas
vestibular Ufv2001
tópico:Literatura

sub-grupo:Realismo/Naturalismo/Parnasianismo
pergunta:Em "O Cortiço", Aluísio Azevedo reafirma a ideologia do Naturalismo e cumpre à risca alguns princípios cientificistas vigentes na segunda metade do século XIX.

Dentre as afirmativas a seguir, assinale aquela que NÃO corresponde às propostas da escola naturalista:
a) O caráter determinista da obra tem como símbolo a personagem Pombinha, que, se antes era "pura" e de boa conduta moral, acaba prostituindo-se por força daquele meio sórdido e animalesco.
b) O narrador de "O Cortiço" acentua o lado instintivo do ser humano através de um processo de zoomorfização, identificando seus personagens a diferentes animais, sobretudo a insetos e vermes, quando os descreve em seu vaivém pelo cortiço.
c) Ao enfatizar as atitudes inescrupulosas de João Romão para com os habitantes do cortiço, em especial para com a negra Bertoleza, o autor confirma as preocupações sociais do Naturalismo em sua inclinação reformadora.
d) Os personagens de "O Cortiço" constituem-se, em sua maioria, dos operários das pedreiras, das lavadeiras e de outros miseráveis que ali vivem de forma degradante, o que evidencia a preferência do escritor naturalista pelas camadas mais baixas da sociedade.
e) Em "o Cortiço", Aluísio Azevedo exprime um conceito naturalista da vida e, ao idealizar seus personagens, integra-os a elementos de uma natureza convencional.



resposta:[E]

vestibular Ufv2001
tópico:Literatura

sub-grupo:Realismo/Naturalismo/Parnasianismo
pergunta:Leia o texto a seguir, retirado de "O Cortiço", e faça o que se pede:

Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas.
Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada, sete horas de chumbo.
[...].
O rumor crescia, condensando-se; o zunzum de todos os dias acentuava-se; já se não destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço. Começavam a fazer compras na venda; ensarilhavam-se discussões e rezingas; ouviam-se gargalhadas e pragas; já se não falava, gritava-se. Sentia-se naquela fermentação sangüínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra.

AZEVEDO, Aluísio. "O cortiço". 15 ed. São Paulo: Ática, 1984. p. 28-29.

Assinale a alternativa que NÃO corresponde a uma possível leitura do fragmento citado:
a) No texto, o narrador enfatiza a força do coletivo. Todo o cortiço é apresentado como um personagem que, aos poucos, acorda como uma colméia humana.
b) O texto apresenta um dinamismo descritivo, ao enfatizar os elementos visuais, olfativos e auditivos.
c) Através da descrição do despertar do cortiço, o narrador apresenta os elementos introspectivos dos personagens, procurando criar correspondências entre o mundo físico e o metafísico.
d) O discurso naturalista de Aluísio Azevedo enfatiza nos personagens de "O Cortiço" o aspecto animalesco, "rasteiro" do ser humano, mas também a sua vitalidade e energia naturais, oriundas do prazer de existir.
e) Observa-se, no discurso de Aluísio Azevedo, pela constante utilização de metáforas e sinestesias, uma preocupação em apresentar elementos descritivos que comprovem a sua tese determinista.



resposta:[C]

vestibular Ufv2001
tópico:Literatura

sub-grupo:Modernismo
pergunta:Leia atentamente o texto:

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau de sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mais triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

BANDEIRA, Manuel. "Vou-me embora pra Pasárgada e outros poemas". Rio de Janeiro: Ediouro, 1997. p. 33

"Pasárgada" transubstanciou-se em um espaço utópico, onde o poeta se refugiou de suas derrotas e pôde realizar todos os sonhos e desejos de um adolescente traumatizado pela doença, que lhe marcou a vida e lhe inspirou a produção poética.

Dentre as alternativas que se seguem, assinale aquela que NÃO interpreta corretamente o poema:
a) "Pasárgada" surge como um delicioso refúgio, onde o prazer e a liberdade se tornam infinitos e os desequilíbrios da vida adquirem uma ordem lógica.
b) "Vou-me embora pra Pasárgada" é um poema de evasão e promete resgatar, oniricamente, as ações simples e insignificantes que constituem a rotina de um menino sadio.
c) Em "Pasárgada", os loucos e alienados podem assumir livremente suas contradições e fantasias, o que reafirma o caráter excepcional desse reino imaginário.
d) A lúdica e encantada "Pasárgada" não conseguiu abrandar as frustrações do poeta, possibilitando a existência de uma hierarquia que determina as diferenças sociais.
e) Em "Vou-me embora pra Pasárgada", Manuel Bandeira contrapõe o espaço da utopia ao espaço da realidade e, indiretamente, critica uma civilização opressora e impregnada de falsos valores.



resposta:[D]

vestibular Pucsp2001
tópico:Literatura

sub-grupo:Modernismo
pergunta:Da relação entre os versos da primeira estrofe do poema, é correto afirmar que
a) há duas orações adjetivas, iniciadas pelos pronomes relativos.
b) as duas ocorrências do QUE indicam comparação, sendo por isso utilizado duas vezes consecutivas.
c) o primeiro QUE tem o valor de comparação e o segundo é um substituidor do termo ESTIRÃO ao mesmo tempo em que serve como elo de ligação com a função de sujeito.
d) as palavras ESTIRÃO e MÃO rimam, sendo, portanto, dois substantivos concretos, primitivos e simples com matiz comparativo de inferioridade.
e) as características comparativas entre ESTIRÃO e DESEJO, são reveladas pelos adjuntos adnominais DA MINHA MÃO e MEU.



resposta:[C]

vestibular Pucsp2001
tópico:Literatura

sub-grupo:Classicismo e Quinhentismo
pergunta:Tu só, tu, puro amor, com força crua
Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa à molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano.

Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano da alma ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuito,
Aos montes ensinando e às ervinhas,
O nome que no peito escrito tinhas.

"Os Lusíadas", obra de Camões, exemplificam o gênero épico na poesia portuguesa, entretanto oferecem momentos em que o lirismo se expande, humanizando os versos. O episódio de Inês de Castro, do qual o trecho acima faz parte, é considerado o ponto alto do lirismo camoniano inserido em sua narrativa épica. Desse episódio, como um todo, pode afirmar-se que seu núcleo central
a) personifica e exalta o Amor, mais forte que as conveniências e causa da tragédia de Inês.
b) celebra os amores secretos de Inês e de D. Pedro e o casamento solene e festivo de ambos.
c) tem como tema básico a vida simples de Inês de Castro, legítima herdeira do trono de Portugal.
d) retrata a beleza de Inês, posta em sossego, ensinando aos montes o nome que no peito escrito tinha.
e) relata em versos livres a paixão de Inês pela natureza e pelos filhos e sua elevação ao trono português.



resposta:[A]

vestibular Pucsp2001
tópico:Literatura

sub-grupo:Humanismo
pergunta:O argumento da peça "A Farsa de Inês Pereira", de Gil Vicente, consiste na demonstração do refrão popular "Mais quero asno que me carregue que cavalo que me derrube". Identifique a alternativa que NÃO corresponde ao provérbio, na construção da farsa.
a) A segunda parte do provérbio ilustra a experiência desastrosa do primeiro casamento.
b) O escudeiro Brás da Mata corresponde ao cavalo, animal nobre, que a derruba.
c) O segundo casamento exemplifica o primeiro termo, asno que a carrega.
d) O asno corresponde a Pero Marques, primeiro pretendente e segundo marido de Inês.
e) Cavalo e asno identificam a mesma personagem em diferentes momentos de sua vida conjugal.



resposta:[E]

vestibular Pucsp2001
tópico:Literatura

sub-grupo:Romantismo
pergunta:A questão central, proposta no romance "Senhora", de José de Alencar é a do casamento. Considerando a obra como um todo, indique a alternativa que NÃO condiz com o enredo do romance.
a) O casamento é apresentado como uma transação comercial e, por isso, o romance estrutura-se em quatro partes: preço, quitação, posse, resgate.
b) Aurélia Camargo, preterida por Fernando Seixas, compra-o e ele, contumaz caça-dote, sujeita-se ao constrangimento de uma união por interesse.
c) O casamento é só de fachada e a união não se consuma, visto que resulta de acordo no qual as aparências sociais devem ser mantidas.
d) A narrativa marca-se pelo choque entre o mundo do amor idealizado e o mundo da experiência degradante governado pelo dinheiro.
e) O romance gira em torno de intrigas amorosas, de desigualdade econômica, mas, com final feliz, porque, nele, o amor tudo vence.



resposta:[C]

vestibular Pucsp2001
tópico:Literatura

sub-grupo:Romantismo
pergunta:Os fragmentos acima são de Alvares de Azevedo e desenvolvem o tema da mulher e do amor. Caracterizam duas faces diferentes da obra do poeta. Comparando os dois fragmentos, podemos afirmar que,

a) no primeiro, manifesta-se o desejo de amar e a realização amorosa se dá plenamente entre os amantes.
b) no segundo, apesar de haver um tom de humor e sátira, não se caracteriza o rebaixamento do tema amoroso.
c) no primeiro, o poeta figura a mulher adormecida e a toma como objeto de amor jamais realizado.
d) no segundo, o poeta expressa as condições mais rasteiras de seu cotidiano, porém, atribui à mulher traços de idealização iguais aos do primeiro fragmento.
e) no segundo, ao substituir a musa virginal pela lavadeira entretida com o rol de roupa suja, o poeta confere ao tema amoroso tratamento idêntico ao verificado no primeiro fragmento.



resposta:[C]

vestibular Pucsp2001
tópico:Literatura

sub-grupo:Realismo/Naturalismo/Parnasianismo
pergunta:O conto "A Cartomante" integra a obra "Várias Histórias", de Machado de Assis. Dele é INCORRETO afirmar que
a) se desenvolve a partir da afirmação de Horácio de que há mais coisas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia.
b) apresenta um triângulo amoroso no qual Rita, casada com Vilela, o trai com o amigo Camilo.
c) caracteriza a personagem feminina como uma dama formosa e tonta e mostra-a insinuante como uma serpente.
d) apresenta um final feliz já que a previsão da cartomante sobre o amor dos dois realiza-se plenamente.
e) se trata de uma narrativa tradicional com estrutura bem definida, conduzindo a história para um clímax inesperado, o chamado elemento surpresa.



resposta:[D]

vestibular Pucsp2001
tópico:Literatura

sub-grupo:Modernismo
pergunta:Assim eu quereria o meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e
menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os
diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

No poema acima, de Manuel Bandeira, a liberdade de forma se dá
a) pela linguagem simples, por certo coloquialismo e pela presença de versos brancos e livres.
b) pela rigorosa seleção vocabular e pela ordem das palavras que dificultam o entendimento do texto.
c) pelas comparações e metáforas que traduzem sentimentos opostos e conflitantes.
d) pelo desejo expresso de escrever um poema sobre a beleza das flores sem perfume.
e) pelo uso da metalinguagem que introduz uma reflexão sobre o ato de escrever.



resposta:[A]

vestibular Pucsp2001
tópico:Literatura

sub-grupo:Modernismo
pergunta:"Libertinagem", uma das obras mais expressivas de Manuel Bandeira, apresenta temática variada. Indique a alternativa em que NÃO há correspondência entre o tema e o poema.
a) cotidiano - "Poema tirado de uma notícia de jornal"
b) recordações da infância - "Profundamente"
c) teor metalingüístico - "Poética"
d) evasão e exílio - "Vou-me embora pra Pasárgada"
e) amor erótico - "Irene no céu"



resposta:[E]

vestibular Pucsp2001
tópico:Literatura

sub-grupo:Modernismo
pergunta:O mulungu do bebedouro cobria-se de arribações. Mau sinal, provavelmente o sertão ia pegar fogo. Vinham em bandos, arranchavam-se nas árvores da beira do rio, descansavam, bebiam e, como em redor não havia comida, seguiam viagem para o Sul. O casal agoniado sonhava desgraças. O sol chupava os poços, e aquelas excomungadas levavam o resto da água, queriam matar o gado. (...) Alguns dias antes estava sossegado, preparando látegos, consertando cercas. De repente, um risco no céu, outros riscos, milhares de riscos juntos, nuvens, o medonho rumor de asas a anunciar destruição. Ele já andava meio desconfiado vendo as fontes minguarem. E olhava com desgosto a brancura das manhãs longas e a vermelhidão sinistra das tardes. (...)

O trecho acima é de "Vidas Secas", obra de Graciliano Ramos. Dele, é INCORRETO afirmar-se que
a) prenuncia nova seca e relata a luta incessante que os animais e o homem travam na constante defesa da sobrevivência.
b) marca-se por fatalismo exagerado, em expressão como "o sertão ia pegar fogo", que impede a manifestação poética da linguagem.
c) atinge um estado de poesia, ao pintar com imagens visuais, em jogo forte de cores, o quadro da penúria da seca.
d) explora a gradação, como recurso estilístico, para anunciar a passagem das aves a caminho do Sul.
e) confirma, no deslocamento das aves, a desconfiança iminente da tragédia, indiciada pela "brancura das manhãs longas e a vermelhidão sinistra das tardes".



resposta:[B]