Questões de Literatura - Perguntas e Respostas Comentadas - Exercícios
questões de vestibulares
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Questões Literatura

REF. Perguntas / Respostas
vestibular Unesp1991
tópico:Literatura

sub-grupo:Romantismo
pergunta:O trecho foi extraído da "Advertência" ao leitor feita por Domingos José Gonçalves de Magalhães nas páginas iniciais de seu livro SUSPIROS POÉTICOS E SAUDADES. Que representa esta obra na História da Literatura Brasileira?



resposta:É considerada a obra iniciadora do Romantismo no Brasil.

vestibular Unesp1991
tópico:Literatura

sub-grupo:Romantismo
pergunta:A leitura do trecho acima citado nos permite identificar o período literário a que pertence a obra. Comente duas passagens desse trecho que revelem características da literatura do período em questão.



resposta:"encantar os sentidos, vibrar as cordas do coração": sentimentalismo, valorização da emoção.
"elevar o pensamento nas asas da harmonia": idealização.

vestibular Unesp1991
tópico:Literatura

sub-grupo:Modernismo
pergunta:O primeiro poema é do parnasiano Alberto de Oliveira; o segundo, do modernista Manuel Bandeira. Aponte três características da poesia parnasiana observáveis no poema de Alberto de Oliveira, que possam ser opostas a três características modernistas observáveis no poema de Manuel Bandeira.



resposta:Alberto de Oliveira: rigor formal, preciosismo vocabular, contenção dos sentimentos.
Bandeira: liberdade formal, linguagem coloquial, liberdade dos sentimentos.

vestibular Unesp1991
tópico:Literatura

sub-grupo:Realismo/Naturalismo/Parnasianismo
pergunta:Devido ao grande predomínio de palavras paroxítonas na Língua Portuguesa, os vocábulos proparoxítonos (ou esdrúxulos), por serem relativamente poucos, costumam soar como "raros", "esquisitos ", "extravagantes".

Comente a passagem

"Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico"

em função do uso dos versos-vocábulos proparoxítonos. O que estas palavras, do ponto de vista acentual, têm a ver com o conteúdo geral do poema?



resposta:Os vocábulos esdrúxulos são usados para acentuar a estranheza do lirismo namorador parnasiano, acentuam também a monotonia e falta de inventividade dos parnasianos.

vestibular Unesp1991
tópico:Literatura

sub-grupo:Modernismo
pergunta:Identifique e comente dois versos, do poema de Manuel Bandeira, que poderiam ser opostos criticamente ao verso "Chegas. O ósculo teu me vivifica.", do poema de Alberto de Oliveira.



resposta:"Estou farto do lirismo namorador"
"De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo".
Bandeira nega o auxílio exterior de uma musa; para ele a poesia tem de ser espontânea.

vestibular Unicamp1993
tópico:Literatura

sub-grupo:Contemporânea
pergunta:Uma personagem constantemente mencionada em VIDAS SECAS, de Graciliano Ramos, é Seu Tomás da bolandeira. Homem letrado, é tido como um exemplo de "sabedoria" por Fabiano, que muitas vezes o vê como um modelo.

"Em horas de maluqueira Fabiano desejava imitá-lo: dizia palavras difíceis, truncando tudo, e convencia-se de que melhorava. Tolice. Via-se perfeitamente que um sujeito como ele não tinha nascido para falar certo.
Seu Tomás da bolandeira falava bem, estragava os olhos em cima de jornais e livros, mas não sabia mandar: pedia. Esquisitice um homem remediado ser cortês. Até o povo censurava aquelas maneiras. Mas todos obedeciam a ele. Ah! Quem disse que não obedeciam?"

a) Cite um episódio do romance em que fica evidente a dificuldade de expressão de Fabiano, na presença de pessoas que julga superiores.
b) Como o episódio escolhido por você exemplifica a relação, percebida por Fabiano, entre um uso mais "difícil" da linguagem e o poder exercido por determinadas pessoas?



resposta:a) O seu contato com o soldado amarelo.
b) Torturado, Fabiano é incapaz de defender-se, assumindo sua inferioridade.

vestibular Unicamp1993
tópico:Literatura

sub-grupo:Romantismo
pergunta:O narrador de SENHORA, romance de José de Alencar, descreve assim o aposento de Fernando Seixas:

A um canto do aposento notava-se um sortimento de guarda-chuvas e bengalas, algumas de muito preço. Parte destas naturalmente provinha de mimos, como outras curiosidades artísticas, em bronze e jaspe, atiradas para baixo da mesa, e cujo valor excedia de certo ao custo de toda a mobília da casa.
Um observador reconheceria nesse disparate a prova material de completa divergência entre a vida exterior e a vida doméstica da pessoa que ocupava esta parte da casa.
Se o edifício e os móveis estacionários e de uso pessoal denotavam escassez de meios, senão extrema pobreza, a roupa e os objetos de representação anunciavam um trato de sociedade, como só tinham cavalheiros dos mais ricos e francos da corte.

a) A descrição acima dá especial atenção a uma característica de Seixas que está diretamente relacionada ao rompimento de seu noivado com Aurélia. Que característica é essa?
b) Explique por que essa característica terá grande importância no momento da reconciliação das duas personagens.



resposta:a) A vontade de ostentação, que o faz romper o noivado com Aurélia, moça pobre.
b) Para reconciliar-se, Seixas propõe viver de acordo com seus ganhos, de modo a mostrar à Aurélia sua integridade.

vestibular Unicamp1993
tópico:Literatura

sub-grupo:Realismo/Naturalismo/Parnasianismo
pergunta:Capitu era Capitu, isto é, uma criatura mui particular, mais mulher do que eu era homem. Se ainda não o disse, aí fica. Se disse, fica também. Há conceitos que se devem incutir na alma do leitor, à força de repetição.
(Machado de Assis," DOM CASMURRO")

No trecho acima o narrador, Bentinho, apresenta uma interessante comparação ao leitor: "Capitu (...) era mais mulher do que eu era homem". Considerando tal comparação, responda:
a) Que características do comportamento das duas personagens, quando crianças, permitem entender a afirmação de Bentinho?
b) Qual é a diferença fundamental entre o Bentinho-narrador, que está escrevendo a história de sua vida, e o Bentinho-menino, que se surpreendia com o comportamento de Capitu?



resposta:a) Capitu era forte, decidida e dissimulada. Bentinho era tímido, inseguro e ingênuo.
b) Bentinho-narrador, já adulto, é melancólico; já Bentinho-menino vivia o deslumbramento com Capitu.

vestibular Unicamp1993
tópico:Literatura

sub-grupo:Modernismo
pergunta:Os trecho a seguir foi extraído do conto FREDERICO PACIÊNCIA, do livro Contos Novos, de Mário de Andrade.

(... ) a mãe de Frederico Paciência morrera. (...) É indizível o alvoroço em que estourei, foi um deslumbramento, explodiu em mim uma esperança fantástica, fiquei tão atordoado que saí andando solto pela rua. (...) A mãe de Rico, que me importava a mãe de Frederico Paciência! E o que é mais terrível de imaginar: mas nem a ele o sofrimento inegável lhe importava: a morte lhe impusera o desejo de mim. Nós nos amávamos sobre cadáveres.

a) A que passagem do conto refere-se Juca quando afirma: "Nós nos amávamos sobre cadáveres"?
b) Qual a importância da passagem citada, e daquela que você identificou ao responder ao item a, acima, para compreender o desenvolvimento da amizade entre Juca e Frederico Paciência?



resposta:a) À passagem da morte do pai de Frederico.
b) A amizade entre os dois surge e se fortalece diante da necessidade de consolo gerada pelas mortes.

vestibular Unicamp1993
tópico:Literatura

sub-grupo:Contemporânea
pergunta:O terceto a seguir é a estrofe inicial de um dos mais conhecidos poemas de Carlos Drummond de Andrade, o POEMA DE 7 FACES.

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche(*) na vida

(*) gauche: termo francês que significa, entre outras coisas, "desajeitado"; pronuncia-se [gôche].

Adélia Prado, inspirada nesses versos de Drummond, escreveu o poema a seguir.

COM LICENÇA POÉTICA

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
essa espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

a) Transcreva as duas passagens do poema de Adélia Prado que remetem diretamente aos versos de Drummond.
b) Quais as diferenças entre o anjo do poema de Drummond e o anjo do poema de Adélia Prado?
c) No poema de Adélia Prado, a postura do "eu lírico" frente à vida é determinada pela apresentação do anjo. Justifique, com base no poema, essa afirmação.



resposta:a) "Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta"; "Vai ser coxo na vida".

b) O anjo de Drummond é soturno e feio; já o anjo de Adélia é belo e atraente.

c) Tal como o anjo, o eu lírico é atraente ("Não sou tão feia que não possa casar") e tem a força e determinação necessárias para cumprir o anúncio do anjo.

vestibular Unicamp1993
tópico:Literatura

sub-grupo:Romantismo
pergunta:No prefácio da quinta edição portuguesa do romance AMOR DE PERDIÇÃO, Camilo Castelo Branco afirmava ironicamente:

"Eu não cessarei de dizer mal desta novela que tem a boçal inocência de não devassar alcovas, a fim de que as senhoras a possam ler nas salas, em presença de suas filhas ou de suas mães, e não precisem de esconder-se com o livro no seu quarto de banho. Dizem, porém, que o Amor de Perdição fez chorar. Mau foi isso. Mas agora, como indenização, faz rir: tornou-se cômico pela seriedade antiga (...). E por isso mesmo se reimprime. O bom senso público relê isto, compara com aquilo, e vinga-se barrufando(*) com frouxos de riso realista as páginas que há dez anos aljofarava(**) com lágrimas românticas.

Como você pode notar, o autor faz referência a duas escolas literárias para explicar como AMOR DE PERDIÇÃO produziria no público leitor, por ocasião de sua reimpressão, uma reação completamente diferente daquela produzida ao ser publicado pela primeira vez. Considerando tal afirmação:
a) Cite um episódio do romance que poderia provocar lágrimas nos leitores da primeira edição e ataques de "riso realista" nos leitores da quinta edição.
b) Como se explica uma reação tão diferente por parte dos leitores dessas duas edições?

(*) barrufando: variante de borrifando.
(**) aljofarava: orvalhava.



resposta:a) A idealização exacerbada do amor na morte de Teresa.
b) Os leitores da edição posterior já estariam influenciados pelo ideário realista-naturalista, descartando o sentimentalismo.

vestibular Unicamp1993
tópico:Literatura

sub-grupo:Realismo/Naturalismo/Parnasianismo
pergunta:No romance O PRIMO BASÍLIO, de Eça de Queirós, Ernestinho é autor de uma peça teatral que tematiza o adultério. Aconselhado por seu empresário, decide que, na peça, o marido traído deve perdoar a esposa no final. No trecho a seguir, Ernestinho revela sua decisão a Luiza:

"- Ah! Esquecia-me de dizer-lhe, sabe que lhe perdoei?
Luiza abriu muito os olhos.
- À condessa, à heroína! Exclamou Ernestinho.
- Ah!
- Sim, o marido perdoa-lhe, obtém uma embaixada, e vão viver no estrangeiro. É mais natural."

A primeira fala de Ernestinho pode ser interpretada de duas maneiras.
a) Quais são as duas interpretações?
b) Qual das duas foi a interpretação de Luiza?
c) Que fatos da vida de Luiza motivam essa interpretação da fala de Ernestinho?



resposta:a) Que Ernestinho tinha perdoado Luíza ou a personagem da condessa.
b) Que ele tivesse perdoado a ela, pelo adultério com o primo.
c) Ela comete adultério com Basílio.