Banco de dados de questões sobre Dissertação
questões de vestibulares
|
 

Questões Dissertação

REF. Pergunta/Resposta
origem:Unesp
tópico:
Redacao

sub-grupo:Dissertação

pergunta:Leia o texto e o poema a seguir e, baseado no que eles significam para você, escreva a sua redação, dissertativa.

O trabalhador brasileiro, em sua grande maioria, recebe salário mensal que tem como ponto de referência a chamada "Cesta Básica".


COMIDA

(Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Sérgio Britto)

Bebida é água
Comida é pasto
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?
A gente não quer só comida,
A gente quer comida, diversão e arte.
A gente não quer só comida,
A gente quer saída para qualquer parte.
A gente não quer só comida
A gente quer bebida, diversão, balé.
A gente não quer só comida,
A gente quer a vida como a vida quer.

Bebida é água.
Comida é pasto.
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?
A gente não quer só comer,
A gente quer comer e quer fazer amor.
A gente não quer só comer,
A gente quer prazer pra aliviar a dor.
A gente não quer só dinheiro,
A gente quer dinheiro e felicidade.
A gente não quer só dinheiro,
A gente quer inteiro e não pela metade.

(em "Jesus não tem dentes no país dos banguelas", Titãs, 1988)




resposta:Dissertação

origem:Unesp
tópico:
Redacao

sub-grupo:Dissertação

pergunta:"Quem com ferro fere, com ferro será ferido."
(Provérbio)

"Todo homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal."
(Art. 3¡. da Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovada em 10.12.48 pela Assembléia Geral das Nações Unidas)

PROPOSTA

Para muitos, a idéia em si é abominável. Porém uns muito, uns mais ou menos e outros nem tanto enxergam na instituição jurídica da pena de morte um dos caminhos para o combate à violência que se exacerba a cada dia em nosso país. O tema tem estado em debate na imprensa e participa de discussões tanto no bar da esquina quanto no Congresso Nacional. Você, claro, já pensou nisto. Então, faça uma redação dissertativa sobre "A Pena de Morte no Brasil".
Demos-lhe, em epígrafe, duas indicações. Se você quiser e achar conveniente, utilize-as como estímulo a suas reflexões.




resposta:Dissertação

origem:Unicamp
tópico:
Redacao

sub-grupo:Dissertação

pergunta:TEMA A

A Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida, conhecida também como campanha contra a fome, tem provocado numerosas manifestações contraditórias, reavivando uma discussão antiga sobre a validade da ajuda aos desfavorecidos.
Levando em conta a coletânea a seguir, que contém fatos e opiniões diversas sobre aquela campanha, redija uma dissertação sobre o tema: 'dar o peixe ou ensinar a pescar?'

1. Já são quase 32 milhões de brasileiros famintos, num país que desperdiça somente em alimentos o equivalente a US$ 4 bilhões. Apenas 20% desse desperdício saciaram a fome de todos esses brasileiros miseráveis.
(O avesso da fome, "Jornal do Brasil", 12/09/93.)

2. A cada ano que passa, mil crianças morrem por dia debaixo do céu brasileiro. Morrem de doença para as quais a medicina criou uma infinidade de nomes, todos sinônimos de um só mal: fome, subnutrição.
(Eric Nepomuceno, Caderno FOME, "Jornal do Brasil", 12/09/93.)

3. Há uma miséria maior que morrer de fome no deserto: é de não ter o que comer na Terra de Canaã.
(José Américo de Almeida, "A Bagaceira")

4. Querido Cony,(...) venho te dar os parabéns pela crônica "Não é por aí". Também eu não quero bagunçar a campanha contra a fome(...), mas já era tempo de alguém dizer que para acabar com a fome precisa-se de uma reforma agrária, justiça social, melhor distribuição de renda. A caridade é uma das virtudes teologais, mas para acabar com a fome no Brasil não basta...
(Jorge Amado, Painel do Leitor, "Folha de S.Paulo","24/06/93)

5. Betinho -...há uma relação estreita entre conjuntura e estrutura. Se eu não sou capaz de mudar alguma coisa aqui e agora, seguramente não serei capaz de mudar no futuro. Toda vitória que eu consiga hoje, por menor que seja, está criando condições para a reforma estrutural.
Folha - O movimento tem um caráter filantrópico, assistencialista. A filantropia sempre foi considerada inócua e muitas vezes associada à picaretagem.
Betinho - Pilantropia (ri). Este movimento está nos obrigando a diferenciar solidariedade de assistencialismo e filantropia de pilantropia. Para mim, solidariedade é um gesto ético, de alguém que quer acabar com uma situação, e não perpetuá-la. Já assistencialismo é exatamente o contrário.
(de uma entrevista de Betinho ao jornal "Folha de S. Paulo", 05/09/93).

6. Mas eis que Chico Buarque, justificando sua participação no show do Memorial veio com um argumento curioso. Você pode dizer que distribuir alimentos não resolve nada, lembrava ele, "mas não distribuir resolve alguma coisa?" Já que nada vale nada, um pouco de caridade é melhor que nenhuma.
(Marcelo Coelho, "Folha de S.Paulo", 08/09/93).

7. Na piscina do Clube Harmonia ouvi uma senhora gordinha dizendo que a campanha contra a fome era comandada pelo PT e que tinha por objetivo arrasar com o nosso país. Outras senhoras gordinhas concordaram, repetindo a velha história de que era melhor ensinar a pescar do que dar o peixe...
(Geraldo Anhaia Mello, Painel do Leitor, "Folha de S.Paulo", 09/09/93).

8. Pessoas que moram nas ruas de São Paulo não têm uma idéia exata do que seja a campanha da Ação Cidadania contra a fome, Miséria e pela Vida. Elas se dizem cansadas de movimentos que distribuem alimentos, mas não conseguem resolver o problema da miséria. Essas pessoas - que seriam as principais beneficiadas pela campanha - pedem a criação de mais empregos, pois querem conseguir uma morada e poder escolher a comida.
("Folha de S. Paulo", 21/09/93).

9. Na esperança da revolução redentora, a palavra de ordem era ensinar a pescar. Dar o peixe era o pecado assistencialista, que retardava o processo revolucionário. (...) Hoje sabe-se: o capitalismo não acaba com a miséria. O socialismo também não. Não há mais sonho nem a utopia. Resta apenas a concretude tenebrosa da miséria (...) não se está se sugerindo que a sociedade assuma o papel do estado. Mas é importante compreender: é a sociedade que muda o estado, não o contrário. (...) (o cidadão) morrerá, como têm morrido milhares, se alguém não lhe der comida.
(Alcione Araújo, Caderno FOME, "Jornal do Brasil", 12/09/93)

10. Eu nunca senti fome na vida, mas acho que deve ser muito triste.
(Adriana, 12 anos, "Veja", 15/09/93).


TEMA B

Leia atentamente o seguinte poema de Manuel Castro:

"para lá da cortina além da porta errada
silencioso e só está sentado
e lê num livro velho
a sua própria história."

Redija uma NARRATIVA de acordo com a seguintes especificações:
1. Construa uma personagem com base nos dados fornecidos pelo poema (por exemplo, o primeiro verso referente a um erro na vida dessa personagem).
2. Conte também a história que a personagem está lendo, de tal forma que se justifiquem os dois últimos versos do poema.

TEMA C

A questão da presença do Estado na economia esta sendo rediscutida, principalmente após as mudanças ocorridas no Leste Europeu, e devido à possibilidade de reforma da Constituição Brasileira. O texto a seguir é uma reportagem que apresenta a opinião de um grupo sobre o assunto.

EMPRESÁRIOS CONTRÁRIOS AO MONOPÓLIO E ESTATIZAÇÃO

Brasília (Meridional) - Os monopólios e estabilização só servem àqueles que os exercem, e a sociedade, ao contrário de ser beneficiária, fica refém e é chantageada. Esse é o principal argumento de mobilização dos empresários brasileiros para extinguir todos os monopólios estatais da Constituição. Pesquisa da Associação Comercial do Distrito Federal (ACDF) (...) sugere ampla campanha denunciando o "retrocesso e malefícios atuais".(...)
Os empresários entendem que o Estado dispõe de várias(...) formas de intervenção no domínio econômico, que começam através do poder de conceder, cuja outorgação pode ser suspensa ou cassada. "Se o Estado já detém tantos poderes extraordinários, por que ele tem que ampliar seu absolutismo através de monopólios e outras estatizações?" questiona o documento da ACDF.
No texto há, ainda, um alerta: "Se os seguimentos mais liberais da sociedade não enfrentarem com determinação e coragem a reforma constitucional, a derrota será inevitável outra vez". O presidente da Federação das Associações Comerciais do DF, Josezito Nascimento Andrade, que subscreve o documento, diz que "se os inúmeros aspectos neomarxistas da Constituição se perpetuarem, a redenção do País continuará indefinidamente adiada."

Monopólio - A pesquisa identificou 39 atividades monopolizadas, como a pesquisa, lavra, refinação e importação do petróleo e seus derivados; pesquisa e lavra de gás natural; pesquisa e lavra hidrocarbonetos fluidos; a pesquisa, lavra, enriquecimento, reprocessamento e industrialização de minérios; telefonia, telegrafia, transmissão; propriedade de recursos minerais, dos bens do subsolo; manutenção do serviço social postal e do correio aéreo.
Sobre o que se considera privilégios constitucionais, os empresários questionam a estabilidade dos servidores públicos, a irredutibilidade dos seus salários, a disponibilidade com remuneração integral, a aposentadoria integral, independente do valor da contribuição. Questionam, ainda, a falta de qualquer limitação ou parâmetro para que as assembléias legislativas fixem os salários dos deputados estaduais. Para eles, essa liberdade absoluta tem gerado as maiores distorções salariais nos poderes legislativos.
O empresariado identificou três benefícios que classificam de inflacionários: férias com mais 33,33 por cento do salário, licença-maternidade 125 dias e licença paternidade. "Constitui boa ética ganhar mais quando se está em férias? Quem ganhar mais não deve trabalhar mais? Esse adicional sem causa é um fator de custos, é inflacionário. Deve, portanto, ser eliminado", alega o documento do ACDF. Sobre a licença maternidade, ele frisa que "tem sido grande causadora de desemprego da mulher e tem levado a uma redução dramática da natalidade entre mulheres de classe média".
("Diário da Serra", Campo Grande, MS, 22 e 23/08/93).

a) Faça resumo muito breve dos pontos de vistas da ACDF e transcreva-os no alto de sua folha de redação.
b) Em seguida escolha uma das duas alternativas a seguir.

1. Suponha que você é o ghost-writer* de um deputado que concorda com os pontos de vista da reportagem, e que ele lhe encomendou um discurso para ser lido na Câmara. Escreva um texto que contenha argumentos favoráveis (aprofundando os argumentos mencionados, acrescentando outros e dando exemplo) aos pontos de vista defendidos na reportagem e que tenha as características de um discurso que um deputado faria diante de seus colegas na Câmara, para convencê-los a votar favoravelmente à mudança de alguns dispositivos numa eventual revisão constitucional.
2. Suponha que você é o ghost-writer* de um deputado que discorda dos pontos de vista da reportagem, e que ele lhe encomendou um discurso para ser lido na Câmara. Escreva um texto que contenha argumentos contrários aos pontos de vista de seus colegas na Câmara, tentando convencê-los a não alterar tais dispositivos numa eventual revisão constitucional.
*Obs. Chama-se ghost-writer a quem escreve em nome de outros.
IMPORTANTE: qualquer que seja sua opção, você deve fazer referência aos tópicos da reportagem.




resposta:Resposta pessoal.

origem:Unesp
tópico:
Redacao

sub-grupo:Dissertação

pergunta:O Mandachuva.

Como dizia, porém, na Bruzundanga, em geral, o mandachuva é escolhido entre os advogados, mas não julguem que ele venha dos mais notáveis, dos mais ilustrados, não: ele surge e é indicado dentre os mais néscios e os mais medíocres. Quase sempre, é um leguleio da roça que, logo após a formatura, isto é, desde os primeiros anos de sua mocidade até aos quarenta, quando o fizeram deputado provincial, não teve outro ambiente que a sua cidadezinha de cinco a dez mil habitantes, mais outra leitura que a dos jornais e livros comuns da profissão - indicadores, manuais, etc.; e outra convivência que não a do boticário, do médico local, do professor público e de algum fazendeiro menos dorminhoco, com os quais jogava o solo, ou mesmo o "truque" nos fundos da botica.
É esse homem que assim viveu a parte melhor da vida, é esse homem que só viu a vida de sua pátria na pacatez de quase uma aldeia; é este homem que não conheceu senão a sua camada e que seu estulto orgulho de doutor da roça levou a ter sempre um desdém bonachão pelos inferiores; é este homem que empregou vinte anos, ou pouco menos, a conversar com o boticário sobre as intrigas de seu lugarejo; é este homem cuja cultura artística se cifrou em dar corda no gramofone familiar; é este homem cuja única habilidade se resume em contar anedotas; é um homem destes, meus senhores, que depois de ser deputado provincial, geral, senador, presidente de província, vai ser o mandachuva da Bruzundanga. (...)
Durante esse longo tempo em que ele passa como deputado senador, isto e aquilo, o esperançoso mandachuva é absorvido pelas intrigas políticas, pelo esforço de ajeitar os correligionários, pelo trabalho de amaciar os influentes e os preponderantes, na política geral e regional. A sua atividade espiritual limita-se a isto.
Os preponderantes e os influentes têm todo o interesse em não fazer subir os inteligentes, os ilustrados, os que entendem de qualquer cousa; e tratam logo de colocar em destaque um medíocre razoável que tenha mais ambição de subsídios do que mesmo a vaidade do poder.
Além disso, eles têm que entender aos capatazes políticos das localidades das províncias; e, em geral, estes últimos indicam, para os primeiros postos políticos, os seus filhos, os seus sobrinhos e de preferência a estes: os seus genros.
A ternura de pai quer sempre dar essa satisfação à vaidade das filhas.

(in Lima Barreto. OS BRUZUNDANGAS. 2 ed.. São Paulo: Brasiliense, 1961, pp. 90/91.)

No texto que lhe apresentamos, publicado há 70 anos, o escritor Lima Barreto (1881-1922) traça o perfil do Presidente da República e satiriza as estruturas de poder que definem um país imaginário chamado Bruzundanga. Aqui no Brasil, ano que vem, haverá eleições para Presidente (e vice), Governadores (e vices), Senadores e Deputados federais e estaduais. As estruturas de poder poderão se modificar ou permanecer como estão dependendo dos homens, mulheres e partidos que a população eleger. Pense nisto, e escreva uma redação de gênero Dissertativo sobre o seguinte tema:

"O Brasil de ontem, de hoje, e as eleições de amanhã."




resposta:Dissertação.

origem:Unicamp
tópico:
Redacao

sub-grupo:Dissertação

pergunta:Em momentos de crise, o homem procura desesperadamente encontrar saídas. Cientistas sociais, filósofos, políticos afirmam que é preciso alterar as condições econômicas, sociais, educacionais, para que os indivíduos possam desenvolver seus problemas; místicos, esotéricos e defensores de várias formas de auto-ajuda prometem saídas pessoais, por vezes rápidas e eficazes. Na coletânea a seguir você encontra elementos relevantes para a análise dessa questão. Com base nos fragmentos dessa coletânea, redija um texto dissertativo sobre o seguinte tema: SAÍDAS MILAGROSAS PARA A CRISE: SOLUÇÃO OU ILUSÃO? Ao desenvolver a sua redação, além de expor suas opiniões, você deverá necessariamente levar em consideração a coletânea a seguir.

1. A auto-ajuda contém uma filosofia do senso comum, uma espécie de refinamento do que se vê nos pára-choques de caminhão.
"Sorria para a vida e ela sorrirá para você", por exemplo. Ou então: "Toda jornada começa com um passo". É possível discordar disso?


2. OS MAIS VENDIDOS.

Ficção:
1 - "O Alquimista", Paulo Coelho (8-212*)
2 - "Escrito nas Estrelas", Sidney Sheldon (1-14)
3 - "Memorial de Maria Moura", Rachel de Queiroz (3-31*)
4 - "O Dossiê Pelicano", John Grisham (4-10)
5 - "Recomeço", Danielle Steel (5-3)
6 - "A Firma", John Grisham
7 - "O Parque dos Dinossauros", Michael Crichton (4-9)
8 - "Bala na Agulha", Marcelo Rubens Paiva (8-39*)
9 - "As Valkírias", Paulo Coelho (2-53)
10 - "Noite sobre as Águas", Ken Follet (10-55*)

Não-Ficção:
1 - "Emagreça Comendo", Lair Ribeiro (1-6)
2 - "O Sucesso Não Ocorre por Acaso", Lair Ribeiro (2-56)
3 - "Prosperidade", Lair Ribeiro (3-37*)
4 - "Comunicação Global", Lair Ribeiro (5-50)
5 - "À Sombra das Chuteiras Imortais", Nelson Rodrigues (6-5)
6 - "Pequeno Manual de Instrução da Vida", Jackson Brown (7-18)
7 - "Minutos de Sabedoria", Torres Pastorino (8-8*)
8 - "Arte & Manhas da Sedução", Marion Vianna Penteado (9-12)
9 - "Na Sala com Danuza", Danuza Leão (4-48*)
10 - "Manual do Orgasmo", Marilene Cristina Vargas (7-5*)

Os números entre parênteses indicam: a) cotação do livro na semana anterior; b) há quantas semanas o livro parece na lista; (*) semanas não consecutivas. Esta lista não inclui os livros vendidos em bancas.

3. O arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, acredita que os livros de Paulo Coelho sejam uma espécie de apoio dos desacreditados na religião. "Eles oferecem um mundo espiritualizado para o vazio deixado pelo materialismo da máquina e ensinam a felicidade que cada um busca", diz dom Paulo.
(A CONVERSÃO DO MAGO, "Isto É", 03/08/94)

4. Para quem ainda não sabe, a grande tábua de salvação chama-se programação neurolingüística, PNL, tem menos de vinte anos de vida e é um sucesso planetário, sozinha ou somada a outras técnicas. Nada que é humano, de crises de claustrofobia a paixões por doces, lhe é estranho. Tudo é importante, tudo tem remédio. Ensina que o negócio não é ver para crer, mas crer para ver. (...) Andam dizendo que introduziu nos trópicos o conceito de felicidade portátil, do faça você mesmo agora (...).
Imagine-se, vendo para crer, uma platéia de cinqüenta pessoas reunidas num hotel (...) para ouvir o doutor Lair Ribeiro (...):
"O cérebro é uma máquina sofisticadíssima que vem sem um manual de instruções". (...) "Ele foi programado para te dar o que você quer e para ele você quer tudo o que pensa". (...) "Repita: dinheiro cresce como árvore. Dinheiro é limpo. Contribui para a felicidade. Pessoas ricas são abençoadas. O ser humano nasceu para ser próspero".

5. Há também quem veja utilidade em tudo isso, como o psicanalista carioca Luiz Alberto Py. Ele acha que a auto-ajuda é um caso de down=trading, uma característica do mercado de cigarros em que muitas vezes uma marca barata supera a venda das campeãs porque o preço delas subiu demais. "A psicanálise é cara. Comprar um livro de auto-ajuda é mais barato e pode funcionar", diz.
(Os fragmentos 1, 4 e 5 foram extraídos de A FELICIDADE PORTÁTIL, VEJA, 24/11/93)

6. VEJA - É possível recuperar a auto-estima brasileira, perdida na década de 80?
S. KANITZ [economista] - Os brasileiros foram cobaias de experimentos econômicos por quase dez anos, o que baixa a auto-estima de qualquer um. O Lair Ribeiro é resultado disso. Se as pessoas não estivessem de astral tão baixo, ele não venderia tantos livros. A auto-estima começa a melhorar quando você tem controle sobre sua vida econômica.
(A CRISE JÁ ERA, VEJA, 12/10/94)

7. As modernas listas de best sellers ilustram a imensa necessidade que temos desses livros de iniciação, verdadeiros manuais de sobrevivência para a travessia da vida. Mas a arte de viver adulta, envergonhada, costuma se apoiar em dois álibis: ou na psicologia, e então temos as lições positivas de Lair Ribeiro, ou na religião, e temos aqui as fábulas esotéricas de Paulo Coelho. Não ousamos, ainda, nos apegar a uma arte de viver sem muletas, moldada diretamente pela própria vida.
(José Castello, Caderno 2, "O Estado de S. Paulo", 08/11/94)

8. A crise criou discursos, que se digladiam pelos louros do acerto. No discurso clamor à nação, o orador pede a uma Razão secreta que desperte, tipo "Deus, onde estás que não respondes?". Tende para o religioso, para o sagrado horror, já que não há nenhuma Central da Razão que tome uma providência. (...). A crise é boa para aumentar o contato com o absurdo, logo, com o mistério da vida. Neste sentido, a crise é filosófica.
(adaptado de Arnaldo Jabor, "A crise é a salvação de muitos brasileiros", OS CANIBAIS ESTÃO NA SALA DE JANTAR)

9. Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem arbitrariamente, em circunstâncias escolhidas por eles mesmo, e sim em circunstâncias diretamente dadas e herdadas do passado.
(Karl Marx, O 18 BRUMÁRIO DE LUÍS BONAPARTE)

10. Vivi puxando difícil de difícel, peixe vivo no moquém: quem mói no asp'ro, não fantasêia. (...)
Viver é muito perigoso...
(palavras de Riobaldo, personagem de GRANDE SERTÃO: VEREDAS, de João Guimarães Rosa)




resposta:Dissertação.

origem:Unesp
tópico:
Redacao

sub-grupo:Dissertação

pergunta:TEXTO PARA REFLEXÃO

Quem são os heróis de nossa gente?

O que não falta na história do Brasil são heróis: Cabral o que descobriu; Martim Afonso, o que colonizou; Anchieta, o que catequizou; Paes Leme, o que desbravou; Calabar, o que traiu; Tiradentes, o que antecipou; D. Pedro I, o que gritou; D. Pedro II, o que dançou; princesa Isabel, a que redentou; Caxias, o que espadou; Deodoro, o que proclamou; Oswaldo Cruz, o que saneou; Santos Dumont, o que vôou; Bilac, o que obrigou; Getúlio, o que se matou; Pelé, o que marcou, e Roberta Close, a que mudou...
Para cada herói uma marca: os passos de nosso atraso.
Nas escolas ainda se ensina que o Brasil se tornou independente pelo grito de D. Pedro I. Aliás, tentaram de tudo para fazer de D. Pedro um herói, jogaram até um famoso ator de televisão em cima dele. Não deu certo. Suas cinzas, que estavam em Portugal (ele morreu como D. Pedro IV, rei de Portugal), foram trocadas por um volume dos Lusíadas, de Camões, de uma rara edição do século XVI. Os portugueses levaram a poesia. Nós, os inteligentes, ficamos com as cinzas de um herói desacreditado.
Nessa história de D. Pedro se "esquece", por exemplo, que ele mandou fuzilar um verdadeiro líder popular e revolucionário: Frei Caneca, que liderou a Confederação do Equador, em 1824, em Pernambuco. Também se esquecem seus compromissos estrangeiros (principalmente com a Inglaterra) e com a classe dominante local.
Um certo exemplo que poderia ser visto é o do mito do herói bandeirante. Como sabemos, as entradas e bandeiras do século XVI tinham como objetivo penetrar no território brasileiro, a partir de São Paulo, para a obtenção de metais preciosos e escravos. A ação dos bandeirantes era puramente predatória, para não dizer criminosa. Porém, no século XIX, quando se consolida em São Paulo uma aristocracia, fundamentada na exploração do café, se cria também um mito. Na verdade, ideologia: a de que essa classe tinha como antepassados figuras heróicas e desbravadoras. O que era restrito a um grupo passou a permear o todo da sociedade.
Porém, a dinâmica da sociedade paulista, num ritmo de transformações aceleradas, fez com que os próprios filhos dessa aristocracia questionassem seus mitos. E hoje os bandeirantes são vistos mais próximos do que na verdade foram.
A crítica aos heróis, por outro lado, nem sempre tem sido tranqüila. Dois exemplos: em 1978, um cronista do jornal 'Folha de São Paulo' foi preso, enquadrado na Lei de Segurança Nacional, porque "ousou" comparar um simples soldado que morreu tentando salvar uma criança num zoológico com o patrono do Exército Nacional: Duque de Caxias. Acusação: ofensa aos "heróis da Pátria". Em 1983, um jovem escritor e historiador do Rio Grande do Sul chegou a ser ameaçado de morte por publicar um pequeno livro onde documenta que o maior "herói" rio-grandense, Bento Gonçalves, era contrabandista de cavalos e aliado das classes dominantes, dos estancieiros e dos latifundiários.

(FEIJÓ, Martin Cezar. "O que é herói", São Paulo: Brasiliense, 1984, pp. 45-7.)


PROPOSIÇÃO

Daqui a uma semana, jornais, revistas, emissoras de rádio e, principalmente, redes de televisão estarão apresentando as "Retrospectivas de 1994". Estaremos relembrando fatos nacionais e mundiais que aguçaram nosso sentimento de apreço e nossa paixão, quer pelos impactos e suas importâncias históricas, quer pelos tratamentos jornalísticos que lhes foram dados. As notícias de ações individuais ou coletivas foram algumas vezes tratadas de maneira a lhes dar uma feição heróica; algumas pessoas, com justeza ou exagero, viraram heróis.
O texto de Martin Cezar Feijó, certamente bastante cético e irreverente, e com o qual, evidentemente, você pode, ou não concordar, trata da figura do "herói". Releia-o e, a seguir, escreva uma REDAÇÃO DISSERTATIVA enfocando o seguinte tema:

A IMPORTÂNCIA DA MÍDIA PARA O SURGIMENTO DE HERÓIS EM NOSSOS DIAS.




resposta:Dissertação.

origem:Fuvest
tópico:
Redacao

sub-grupo:Dissertação

pergunta:Em muitas pessoas já é um descaramento dizerem "Eu".
[T. W. ADORNO]

Não há sempre sujeito, ou sujeitos. (...)
Digamos que o sujeito é raro, tão raro quanto as verdades.
[A. BADIOU]

Todos são livres para dançar e para se divertir, do mesmo modo que, desde a neutralização histórica da religião, são livres para entrar em qualquer uma das inúmeras seitas. Mas a liberdade de escolha da ideologia, que reflete sempre a coerção econômica, revela-se em todos os setores como a liberdade de escolher o que é sempre a mesma coisa.
[T. W. ADORNO]

Relacione os textos e escreva uma dissertação em prosa, discutindo as idéias neles contidas e expondo argumentos que sustentem o ponto de vista que você adotou.




resposta:Dissertação.

origem:Fuvest
tópico:
Redacao

sub-grupo:Dissertação

pergunta:1¡. caderno quarta-feira, 10/10/90
JORNAL DO BRASIL
Fundado em 1891

Terra de Cegos

Há um conto de H. G. Wells, chamado "A terra dos cegos", que narra o esforço de um homem com visão normal para persuadir uma população cega de que ele possui um sentido do qual ela é destituída; fracassa, e afinal a população decide arrancar-lhe os olhos para curá-lo de sua ilusão.

Redação

Discuta a idéia central do conto de Wells, comparando-a com a do ditado popular "Em terra de cego quem tem um olho é rei". Em sua opinião essas idéias são antagônicas ou você vê um modo de conciliá-las?




resposta:Resposta pessoal.

origem:Fuvest
tópico:
Redacao

sub-grupo:Dissertação

pergunta:REDAÇÃO

I. Alega-se, com freqüência, que o vestibular, como forma de seleção dos candidatos à escola superior, favorece os alunos de melhor situação econômica que têm condições de cursar as melhores escolas e prejudica os menos favorecidos que são obrigados a estudar em escolas de padrão inferior de ensino.

II. Por outro lado, há quem considere que o vestibular é apenas um processo de seleção que procura avaliar o conhecimento dos candidatos num determinado momento, escolhendo aqueles que se apresentam melhor preparados para ingressar na Universidade. Culpá-lo por possíveis injustiças é o mesmo que culpar o termômetro pela febre.

PROPOSTA

Faça uma dissertação discutindo as opiniões acima expostas. É importante que você assuma uma posição a favor ou contra as idéias apresentadas. Justifique-a com argumentos convincentes. Você poderá também assumir uma posição diferente, alinhando argumentos que a sustentem.




resposta:Dissertação.

origem:Unicamp
tópico:
Redacao

sub-grupo:Dissertação

pergunta:REDAÇÃO

Tema A

As sociedades ditas civilizadas vêem a violência, em especial quando organizada, como uma ameaça a seu sistema de valores. Levando em conta a coletânea a seguir, escreva uma dissertação sobre o tema: "Violência nas tribos urbanas modernas."

(...) a violência é de todos e está em todos. Mesmo que o sistema judiciário contemporâneo acabe por racionalizar toda a sede de vingança que escorre pelos poros do sistema social, parece ser impossível não ter que usar a violência quando se quer liqüidá-la e é exatamente por isso que ela é interminável. Tudo leva a crer que os humanos acabam engendrando crises sacrificiais suplementares que exigem novas vítimas expiatórias para as quais se dirige todo o capital de ódio e desconfiança que uma sociedade determinada consegue pôr em movimento.
(René Girard, "A Violência e o Sagrado")

Aqui nesta tribo ninguém quer a sua catequização
Falamos a sua língua mas não entendemos seu sermão
Nós rimos alto, bebemos e falamos palavrão
Mas não sorrimos à toa
Não sorrimos à toa
Aqui neste barco ninguém quer a sua orientação
Não temos perspectiva mas o vento nos dá a direção
A vida que vai à deriva é a nossa condução
Mas não seguimos à toa
Não seguimos à toa
(Arnaldo Antunes, "Volte para o seu Lar")

O Guns N'Roses é hoje com certeza a banda mais popular do mundo, entra em cena ao vivo e a cores no maior estilo rock-rebelde: palavrões cabeludos, sexo, drogas, quebra-quebra, atrasos enormes e até interrupções nos shows comprovam que os "bad boys" continuam fazendo o estilo "inimigos públicos número 1". Com voz rasgada, eles "descem o verbo" na disciplina, na política, nos amantes, nos vizinhos, nos críticos e na imprensa.
(Edição especial de "Top Metal Band" sobre os Guns N'Roses)

Policiais e pretos, é isso aí
saiam do meu caminho (...)
Imigrantes e bichas
Não fazem nenhum sentido para mim (...)
Radicais e racistas
não apontem o dedo para mim
sou um garoto branco, vindo de uma cidade pequena
apenas tentando acertar as pontas
(Guns N'Roses, "One in a Million")

Pergunta: O tipo de som produzido por bandas como a sua não incita à violência?
Resposta: Acho que sim. Mas é uma violência que não faz mal. E um lance de rebeldia liberada aí no show, sem precisar agredir ninguém.
P: Se é assim, por que então um garoto morreu baleado no concerto que os senhores deram, em maio, na praça Charles Müller, em São Paulo?
R: Não foi a primeira vez que morreu alguém em um show de rock. Quando muita gente se reúne, pode haver alguma confusão, principalmente no Brasil. Fiquei sabendo que o garoto que morreu estava com uma machadinha. Ele, então, não foi ao show com boas intenções. Ele não estava ali para ouvir música, mas para brigar. Culpar o rock por uma morte é mais fácil do que achar o verdadeiro culpado.
P: E quem é o verdadeiro culpado?
R: Acho que é o País inteiro, o estado em que o País se encontra.
(Entrevista com Max Cavalera, vocalista do grupo de rock Sepultura. "Isto é Senhor", 09/10/91)

Hoje é véspera de Natal de 1999... Apesar do medo da guerra nuclear, que ainda nos assusta, conseguimos sobreviver às freqüentes guerras entre tribos surfísticas antagônicas (...). Multidões de jovens hipertensos dedicam-se a destruir ondas que mereciam ser acariciadas pela superfície lisa de suas peles e pranchas (...). Fiscais uniformizados e armados patrulham as praias para controlar as violentas guerras entre os surfistas. Além disso, aplicam tranqüilizante nos surfistas que freqüentemente piram com a tensão do cotidiano (... ). Discussões entre surfistas são decididas em combates rituais, onde a morte está sempre presente.
Nas ruas das cidades imundas e perigosas, marginalizados povos primitivos que habitavam as favelas agora vagam famintos e agressivos.
(Tito Rosemberg, "Lendas e Tribos: Revisando o Futuro". Fluir, outubro, 1990)



resposta:Dissertação.

origem:Unicamp
tópico:
Redacao

sub-grupo:Dissertação

pergunta:REDAÇÃO

ORIENTAÇÃO GERAL
Há três temas sugeridos para redação: você deve escolher um deles e desenvolvê-lo no tipo de texto indicado, segundo as instruções que se encontram na orientação dada para cada tema. Indique no alto da página de resposta o tema escolhido.

Coletânea de textos: os textos foram tirados de fontes diversas e apresentam fatos, dados, opiniões e argumentos relacionados com o tema. Eles não representam a opinião da banca examinadora: são textos como aqueles a que você está exposto na sua vida diária de leitor de jornais, revistas ou livros, e que você deve saber ler e comentar. Consulte a coletânea e utilize-a segundo as instruções específicas dadas para o tema. Não a copie.

TEMA A

Dados recentemente divulgados nos principais órgãos de imprensa do país revelam o descaso com que a sociedade brasileira vem tratando a questão do menor.

Selecione, da coletânea a seguir, as informações e argumentos que, do seu ponto de vista, sejam relevantes para a elaboração de uma dissertação sobre o tema: "Criança! não verás nenhum país como este!"
Redija, em seguida, sua dissertação. Em seu texto você deverá expor e comentar, de forma coerente, alguns dos aspectos envolvidos no tema proposto. Você poderá utilizar, também, outras informações que julgar pertinentes.

1. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
(CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, Art. 227)

O direito à proteção especial abrangerá os seguintes aspectos:
I - idade mínima de 14 anos para admissão ao trabalho, observado o exposto no art. 7¡., XXXIII;
(...)
III - garantia de acesso do trabalhador adolescente à escola.
(Idem, Art. 227, Parágrafo 3 )

2. O fato é que o Brasil ostenta níveis de pobreza e concentração de renda que o projetam para baixo de países indigentes da África ou América Latina. Aí desponta a mortalidade infantil: morrem por ano, no Brasil, cerca de 300 mil crianças de zero a um ano, por falta de condições de vida razoáveis, segundo dados oficiais. Isto significa aproximadamente a tragédia de duas bombas de Hiroxima.
(Gilberto Dimenstein, FOLHA DE SÃO PAULO, 13.10.90)

3. Há dez anos, o Brasil tinha uma população de 22,6 milhões de jovens entre 10 e 17 anos, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE. Desse contingente, apenas 3 milhões trabalhavam nas regiões urbanas. Hoje, com cerca de 25 milhões de adolescentes no país, 4,5 milhões trabalham nas cidades. Ou seja: a mão-de-obra urbana jovem cresceu cerca de 50% na última década, enquanto a população adolescente total aumentou apenas l décimo. Nos países europeus e nos Estados Unidos, adolescentes só trabalham a partir de uma determinada idade. Até 15 anos, nos EUA, não se é apresentado a um relógio de ponto - estuda-se. Na França, até os 16 também não se vai para o emprego de manhã como (...) 2,9 milhões de brasileiros que estão no batente com idades entre 10 e 14 anos. Muitos deles não conseguem estudar ou tropeçam de reprovação em reprovação até desistir da escola.
(Revista VEJA, ano 23, n¡. 43, 31.10.90)

4. A prostituição infantil cresce no Brasil e já atinge 500 mil meninas envolvidas cada vez mais com drogas. (...) Esse número expressa, com base em estimativa sobre a população brasileira em 1989 (147,4 milhões), a existência de uma menor prostituta entre cada 300 habitantes. (...) Haveria 800 mil meninas de rua, também suscetíveis, pela necessidade de sobrevivência, de entrar na prostituição.
("Folha de São Paulo", 25.10.90, comentando dados do Centro Brasileiro para a Infância e Adolescência, ligado ao Ministério da Ação Social)

5. Oficialmente, o governo lança campanhas em defesa da criança, de caráter paliativo, chegando a reunir um inexplicável ministério mirim. Enquanto isso, crianças e adolescentes são torturados e assassinados, quando simplesmente não morrem de fome ou por doenças.
(J. M. P. C. da Rocha, em carta publicada no Painel do Leitor, FOLHA DE SÃO PAULO, 04.11.90)

6. Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste! Criança! não verás nenhum país como este!
(Olavo Bilac, "A Pátria". Poesias Infantis)


TEMA B

De que é feito um texto? Fragmentos originais, montagens singulares, referências, acidentes, reminiscências, empréstimos voluntários. De que é feita uma pessoa? Migalhas de identificação, imagens incorporadas, traços de caráter assimilados, tudo (se é que se pode dizer assim) formando uma ficção que se chama o eu.
(Michel Schneider, LADRÕES DE PALAVRAS. Campinas, Editora da Unicamp, 1990.)

Como você pode ver, essa citação propõe uma analogia entre a construção de um texto e a "construção" de uma pessoa. Dando seguimento à analogia, faça de conta que você é um escritor de ficção e, utilizando-se de um dos fragmentos oferecidos a seguir, elabore uma narrativa em terceira pessoa. Você deverá atribuir a ela um título.

I. X. e Y. são duas amigas que se esforçam para dividir o que têm de melhor; na infância, repartem um ursinho de pelúcia. X. torna-se uma escritora de um único livro que, embora aclamado pela crítica, não se torna um best-seller. Y. torna-se escritora por acaso e seu livro vira best-seller num piscar de olhos. Aí é que a relação das duas começa a esquentar. Ainda mais que o bonitão J., que elas também tentam dividir...

II. Um astronauta, de volta à Terra depois de uma desastrosa missão entre os anéis de Saturno, começa a derreter. Enlouquecido, foge da quarentena da NASA e ataca pessoas nos campos, criancinhas brincando, um fotógrafo pornô e sua modelo recalcitrante, um casal de velhinhos...


TEMA C

Como você deve saber, o novo Congresso, eleito no dia 3 de outubro, deverá rever a Constituição promulgada em 1988. Um aspecto que certamente merecerá a atenção dos congressistas é o da obrigatoriedade do voto, uma vez que foi extraordinariamente alto o índice de votos em branco e nulos nas últimas eleições.
Tomando como base as informações e opiniões contidas na coletânea a seguir, escreva uma carta a um congressista argumentando contra ou a favor da manutenção da obrigatoriedade do voto e solicitando que ele, na condição de representante do povo, defenda essa posição em plenário.

1. O alistamento eleitoral e o voto são:
I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos;
II - facultativos para:
a) os analfabetos;
b) os maiores de setenta anos;
c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.
(CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, Art 14, Parágafo l )

2. O voto em branco é uma manifestação mais que perfeita do eleitor que foi votar apenas para cumprir a obrigação e evitar as penalidades que a lei impõe. Já nos casos dos nulos, seria preciso distinguir quem realmente não sabe votar e quem quis, por expressões e rabiscos, se rebelar contra esse processo eleitoral. (...) Mas continuo defendendo o voto obrigatório até como fator de educação cívica. O número de eleitores seria muito pequeno se o voto fosse facultativo.
(Aristides Junqueira, procurador-geral da República, em entrevista publicada no jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, 21.10.90)

3. O deputado reeleito Roberto Cardoso Alves (PTB-SP) criticou o também reeleito Maurílio Ferreira Lima (PMDB-PE) pela proposta da emenda constitucional que torna o voto facultativo:
- Só irão votar os eleitores de esquerda, porque os nossos, só pagando.
(O ESTADO DE SÃO PAULO, Coluna 3, 18.10.90)

4. O resultado das eleições demonstrou que a não obrigatoriedade do voto deve se transformar na próxima conquista da liberdade democrática, inclusive como fato revelador da importância da própria função política. Assim, seria melhor dizer que todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos pelo voto consciente, livre e facultativo, sem qualquer coação.
(J. I. Souza, em carta publicada no Painel do Leitor, FOLHA DE SÃO PAULO, 23.10.90)

5. O número mais novo da cantora Madonna, 32 anos, é um anúncio de TV em que ela aparece enrolada na bandeira dos Estados Unidos. Não se trata de algum escândalo envolvendo símbolos nacionais. Madonna é a nova arma do governo americano para reduzir a abstenção nas eleições do país, onde o voto não é obrigatório e a metade dos eleitores ignora as urnas. "Votar é tão importante quanto ter relações sexuais. Sem ambas as coisas, não existe futuro", diz ela.
(VEJA, ano 23, n¡. 43, 31.10.90)

ATENÇÃO: Ao assinar sua carta, use apenas as iniciais do seu nome.




resposta:Resposta pessoal.

origem:Unicamp
tópico:
Redacao

sub-grupo:Dissertação

pergunta:Há três temas sugeridos para redação. Você deve escolher um deles e desenvolvê-lo no tipo de texto indicado, segundo as instruções que se encontram na orientação dada para cada tema. Assinale o tema escolhido.

Coletânea de textos:
Os textos foram tirados de fontes diversas e apresentam fatos, dados, opiniões e argumentos relacionados com o tema. Eles não representam a opinião da banca examinadora: são textos como aqueles a que você está exposto na sua vida diária de leitor de jornais, revistas ou livros, e que você deve saber ler e comentar. Consulte a coletânea e utilize-a segundo as instruções específicas dadas para o tema. Não a copie.
Ao elaborar sua redação, você poderá utilizar-se também de outras informações que julgar relevantes para o desenvolvimento do tema escolhido.
Atenção: se você não seguir as instruções relativas ao tema que escolheu, sua redação será ANULADA.


Tema A

Na volta do cemitério, vovô subiu uma última vez ao sótão, só o tempo de retirar uma caixa de sapatos que, ao descer, entregou a mamãe com algumas palavras de explicação.(...)
Dentro havia fotografias, cartões-postais, cartas, um broche e dois cadernos. A letra do mais estragado deles, caprichada no começo, ia piorando à medida que se viravam as páginas, até ficar no fim quase ilegível, algumas notas arremessadas que se diluíam no branco das últimas folhas virgens.
(Jean Rouaud, "Os Campos de Honra")

O fragmento acima é parte da história de uma família contada por um narrador que "vasculha a memória, buscando encontrar um sentido para a existência e decifrar um enigma cuja chave pode simplesmente estar guardada numa caixa escondida no sótão." (*)
lmagine-se no papel de um jovem escritor e relate um dos episódios significativos da história dessa família.

Siga as instruções a seguir.
Instruções Gerais:
- sua narrativa deverá ser em primeira pessoa.
- o episódio narrado deverá estar centrado em pelo menos um dos objetos guardados na caixa de sapatos (fotografias, cartões-postais, cartas, um broche, dois cadernos).
(*) O trecho entre aspas foi extraído da apresentação do livro Os Campos de Honra.

Tema B

Comentando o noticiário relativo às manifestações da juventude no período em que se discutia a possibilidade de impeachment do Presidente Collor, o Sr. E. B. M. enviou ao jornal Folha de S. Paulo a seguinte carta:

É irritante ler, nas últimas semanas, a cobertura das manifestações contra o poder central por parte da "juventude". Excluindo qualquer juízo de valor sobre o processo, o que se deve ter como verdade é que é extremamente fantasioso se admitir que a nossa juventude tenha toda essa capacidade de percepção. É notória a cretinice da juventude brasileira. O "zeitgeist" (*), o espírito da época, submerge a atual geração num mar de hedonismo (**) e irresponsabilidade. É lindo fazer revolução com tênis Reebok e jeans Forum. O que eu gostaria de ver, mesmo, é como essa juventude vagabunda, indolente e indisciplinada como a brasileira se portaria diante de um grupo de choque, como nos confrontos que ocorreram em Seul.
(E. B. M., Painel do Leitor, Folha de S. Paulo, 01/09/92)

(*) zeitgeist - termo alemão que significa exatamente espírito da época.
(**) hedonismo - [prática da] doutrina que considera que o prazer individual e imediato é o único bem possível.

A leitura atenta da carta do Sr. E. B. M. permite identificar algumas de suas opiniões sobre os jovens, expressas mais ou menos diretamente. Para escrever sua redação, siga as seguintes instruções:

Instruções Gerais:

-identifique 3 (três) das opiniões pelo Sr. E. B. M.;
-transcreva-as na sua folha de redação;
- após ter feito isso, escreva uma carta, dirigida ao Sr. E. B. M., apresentando argumentos para convencê-lo de que está equivocado. Neste exercício de argumentação, você deverá discordar, portanto, das opiniões que identificou na carta.
Atenção: ao assinar a carta, use apenas as iniciais de seu nome.

Tema C

Acontecimentos recentes, amplamente noticiados pela imprensa nacional e internacional, parecem indicar que o homem ainda não consegue conviver pacificamente com as diferenças (raciais, étnicas, religiosas, entre outras).
Levando em conta os fragmentos da coletânea a seguir, redija uma dissertação sobre o tema: Intolerância e preconceito: duas faces do mesmo problema.

1. "Não tenho nada contra árabes e africanos, desde que eles fiquem em seus países."
(Jacques Martinez, francês, 19 anos - "Folha de S. Paulo", 13/07/92)

"Nós não temos lugar aqui para crianças maltrapilhas, com pais que tiram os empregos dos alemães. Nós já temos problemas demais."
(Petra, alemã, 15 anos - "Isto É", 02/09/92)

"Só não gostamos dos judeus porque eles se comportam como estrangeiros."
(Chacal, brasileiro, 22 anos - "Veja", 07/10/92)

"Nordestinos são mestiços, raça inferior. Nós queremos viver sem estar esbarrando nesse tipo de gente."
(MacBaker, brasileiro - "Isto É", 07/10/92)

2. Racismo. Violência. Neofascismo. Neonazismo. (...) A televisão e os jornais mostram imagens que pareceriam de arquivo, não fossem tão vivas as cores: jovens de cabeças raspadas empunhando bandeiras com suásticas, cemitérios judaicos profanados, rapazes agredindo imigrantes árabes, africanos, turcos...
Esses [jovens] são gente como você, mas acreditam que todos os seus problemas são culpa dos estrangeiros, que estariam roubando seus empregos. Mesmo se esses estrangeiros fazem o serviço sujo e pesado que os mauricinhos (...) não fariam nem amarrados. (...) Em comum, todos têm a intolerância e o ódio racial.
(Folhateen, "Folha de S. Paulo", 13/07/92)

3. ... quando pensamos hoje no neonazismo, devemos ter em mente duas espécies distintas, mas que precisam se somar para que ele ameace o mundo. Uma é a dos nazistas de caricatura: geralmente jovens (...), são eles que atacam e mesmo matam pessoas por motivos apenas étnicos ou políticos. Felizmente não são muitos. Contudo, assim como em 1933, seu sucesso não depende deles, mas de quem, discretamente, os apóia.
Esta é a segunda espécie, na verdade a perigosa. Ela, embora não suje as mãos na violência racista, entende e às vezes até aplaude os extremistas. É este o caldo de cultura no qual o ódio pode prosperar.
(Renato Janine Ribeiro, "Fusão evitará barbárie", "O Estado de S. Paulo", 03/10/92)

4. Será que existem fatos (não preconceitos) a confirmarem a inépcia(*) ou mesmo a inferioridade de certas raças, estacionadas durante o processo evolutivo, a meio caminho entre o animal e o homem? São perguntas, não afirmações. Mas por que admitiríamos, no plano individual, a existência de gênios e retardados e tememos fazê-lo no plano racial?
(Emir Calluf, psicólogo, "Gazeta do Povo" (Curitiba) citado por "Isto É Senhor", 11/12/91)

5. Em certo sentido, tudo o que fazemos é regido por nossa biologia. Algumas das nossas limitações biológicas, como o fato de nascermos indefesos, de amadurecermos lentamente, de termos de dormir boa parte do dia, de envelhecermos e morrermos, estão a tal ponto integradas em nosso ser que raras vezes as reconhecemos, pois jamais pudemos imaginar que a vida pudesse ser de outro modo.
Esses limites biológicos são tão evidentes que jamais provocaram controvérsia. Os temas controvertidos são comportamentos específicos que nos angustiam e que nos forçamos penosamente por mudar (ou que nos proporcionam prazer e temos medo de abandonar), como a agressividade e a xenofobia(**).
(adaptado de Stephen Jay Gould, "A Falsa Medida do Homem")

6. Declaração Universal dos Direitos Humanos:
Artigo segundo. Todo homem tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidas nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza origem nacional ou social, riqueza, nascimento ou qualquer outra condição.

(*) inépcia: falta absoluta de aptidão, de inteligência; idiotismo.
(**) xenofobia: aversão a pessoas e coisas estrangeiras.

7. Charge de Laerte.



resposta:Resposta pessoal.

 


Próxima Página »

Página 1 de 32